Serra do Rio do Rastro: o caminho para as altitudes de Santa Catarina
A vitivinicultura de altitudes de Santa Catarina caminha para o seu décimo segundo aniversário de atividades comerciais. E tem motivos para festejar. Nesse período, foram formados, nas regiões de São Joaquim, Caçador e Campos Novos, cerca de 300 hectares de vinhedos de variedades viníferas. Hoje, 17 empresas têm vinhos no mercado. Juntas, elas produzem cerca de 150 rótulos de vinhos, em vários estilos: espumantes; vinhos tranquilos brancos, rosados e tintos; vinhos doces naturais e vinhos fortificados. Uma diversidade ancorada em uvas de qualidade e em modernas técnicas de vinificação.
Santa Catarina é o segundo produtor brasileiro de vinhos. Dados do Sindicato do Vinho de Santa Catarina e da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina – Epagri mostram que, em 2007, 84 vinícolas estavam em operação, no estado. Naquele ano, 3.570 produtores cultivaram uvas em 127 municípios. A produção total de vinhos foi 15,5 milhões de litros. Desse total, 500 mil garrafas foram de vinhos finos. Uma produção pequena, onde ainda predomina o Vinho de Mesa.
As vinícolas de altitude de Santa Catarina não são novidade apenas no estado, mas também no Brasil. Elas estão instaladas em terrenos situados entre 900 metros e 1.400 metros de altitude com relação ao nível do mar. E estão dentro da área de atuação da Associação Catarinense dos Produtores de Vinhos Finos de Altitude – Acavitis. Essa macro área engloba as regiões de São Joaquim, Caçador e Campos Novos. Uma vitivinicultura que a cada safra apresenta novidades ao mercado.
Uma solução natural contra chuvas
As regiões de altitude de Santa Catarina estão expostas, de certa maneira, ao mesmo problema da vitivinicultura do sul do Brasil: o elevado índice de chuvas entre os meses de janeiro e março, o período da safra. No entanto, o clima mais frio das altitudes traz um antídoto para o problema. O clima frio acaba retardando o ciclo da videira, nessas regiões. Em São Joaquim, por exemplo, a temperatura média anual registrada nos últimos 20 anos pela Estação Experimental da Epagri foi de 12,7 graus C. Isso faz a grande diferença e é um ponto importante, que favorece a vititivinicultura de altitudes.
No clima frio das regiões de altitude de Santa Catarina, variedades precoces como a Chardonnay são colhidas, para a produção de vinhos tranquilos, entre o final de fevereiro a meados de março. Variedades intermediárias, como a Merlot, têm colheita entre o final de março e meados de abril. E variedades tardias, como a Cabernet Sauvignon, são colhidas entre o final de abril até meados de maio, podendo, em alguns casos, avançar um pouco mais, entrando em junho.
A Estação Experimental da Epagri, que fica a 1.415 metros de altitude com relação ao nível do mar, em São Joaquim, registrou, em 2007, a variação das chuvas no período de janeiro a maio. Em janeiro, choveu 146,4 milímetros em São Joaquim. Em fevereiro, o volume foi de 160,4 milímetros. Em março, o volume foi ainda maior, de 227,8 milímetros. Já em abril, o nível de chuvas despencou para 57 milímetros. Em maio, ficou em 59,2 milímetros.
Brotos da nova safra: riscos de geadas tardias
Com base nos números, pode-se concluir que variedades como a Chardonnay e a Pinot Noir ficam sujeitas a problemas com chuvas, por serem colhidas até março. Por isso a dificuldade de produzir grandes volumes de vinhos com essas castas, nas regiões de altitude. Há perdas consideráveis nos vinhedos de Chardonnay e Pinot, provocadas por geadas tardias. Os brotos que frutificam, no entanto, e conseguem amadurecer bem numa boa safra, geram vinhos particulares, estruturados e intensos.
Já a grande maioria das variedades tintas escapa desse período crítico de chuvas, completando o ciclo de amadurecimento tanto dos açúcares como de polifenóis, como os taninos. E o gradiente térmico, que faz com que as temperaturas noturnas sejam entre 10 e 12 graus C inferiores às temperaturas diurnas, garante bons níveis de acidez nas uvas, contribuindo para um bom equilíbrio nos vinhos. Portanto, os tintos têm vocação natural na serra catarinense.
O belo vinhedo em patamares da Quinta Santa Maria
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Vinhedos Comerciais
Os primeiros vinhedos comerciais começaram a ser formados nas altitudes catarinenses em 1999 e 2000. Empresas como a Villaggio Grando, Quinta da Neve, Agro Suzin e Villa Francioni foram as primeiras a formar vinhedos comerciais nessas regiões. Vale o registro de que o vitivinicultor Edson Ubaldo formou um vinhedo de 1 hectare em Campos Novos, em 1981. Foi, portanto, um pioneiro, ao produzir os primeiros vinhos finos numa das atuais regiões de altitude. Mas, por problemas com os porta-enxertos escolhidos, o vinhedo enfrentou problemas e foi extinto em 1994.
A primeira vinícola a ganhar destaque nacional, na região, foi a Villa Francioni. Imponente, na encosta de uma colina, a Villa Francione agregou charme à região. E colocou no mercado vinhos de qualidade, o Chardonnay, o Sauvignon Blanc e os tintos de corte. Também a Quinta da Neve mostrou o potencial qualitativo da região. E aí as marcas das altitudes começaram a chegar ao mercado: Villaggio Grando, Suzin, Sanjo, Quinta Santa Maria, Pisani, Panceri, Pericó, Santa Augusta, Santo Emílio, Barão de Demétria, Monte Agudo, Kranz, Vinicampos, Serra do Sol e Villaggio Bassetti. E novos vinhos devem chegar ao mercado ainda este ano.
Este blog pretende mostrar a diversidade e as características regionais expressas nos vinhos das altitudes de Santa Catarina. De maneira informativa e isenta. Para que o consumidor possa conhecer as novidades e conhecer algumas características sensoriais desses vinhos. Acompanhem-nos. Saúde!




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